1- Introdução
Grande parte das queixas relatadas na clínica fonoaudiológica referem-se à problemas de aprendizagem e/ou atraso no desenvolvimento e aquisição da linguagem. Muitas vezes essas queixas associadas à outros sintomas constituem um quadro mais complexo, a Síndrome do Déficit de Atenção.
No relato da maioria dos responsáveis por estes pacientes, em geral crianças, estão presentes sintomas como: hiperatividade, distúrbios de atenção, incoordenação motora, distúrbios de fala e outros.
É comum os pais relatarem que os seus filhos "não param quietos, são desatentos, parecem estar sempre no "mundo da lua", distraídos, muito ativos, bagunceiros etc".
A investigação por parte dos médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais, que recebem esse tipo de queixa na clínica é fundamental para constituir o diagnóstico diferencial do paciente.
2-Histórico
Um dos primeiros autores a escrever sobre a
Síndrome do Déficit de Atenção, foi Dupré, que durante a Primeira
Guerra Mundial descreveu um quadro sintomático intitulado: "Debilité
Motrice", e que na época, passou meio desapercebido.
Anos depois, em 1947, Strauss e Lehtinen definiram esse quadro de
sintomas de "Lesão Cerebral Mínima", acreditando assim existir uma
pequena lesão cerebral.
Em 1962, no simpósio de Oxford, foi oficializada a expressão "Disfunção Cerebral Mínima", já que a hipótese da existência de uma lesão cerebral mínima não tenha sido comprovada.
No ano de 1966, um grupo de estudos organizado pela National Society for Crippled Children and Adults, NINDB, deram a seguinte conceituação à Disfunção Cerebral Mínima ( in Paine, 1968 ): "As categorias diagnóstica e descritiva incluídas no termo Disfunção Cerebral Mínima, referem-se à crianças com inteligência próxima ou superior à média, com problemas de aprendizado e/ou certos distúrbios de comportamento de grau leve à severo. associados a discretos desvios de funcionamento do Sistema Nervoso Central, SNC.
Esses podem ser caracterizados por variadas
combinações de déficits na percepção, conceituação , linguagem, memória
e controle da atenção, dos impulsos nervosos ou da função motora.
Sintomas similares podem ou não complicar o quadro de crianças com
paralisia cerebral, epilepsia, retardo mental, cegueira ou surdez.
Essas aberrações podem originar-se de variações genéticas,
irregularidades bioquímicas, sofrimento perinatal, moléstias ou traumas
sofridos durante os anos críticos para o desenvolvimento e maturação do
Sistema Nervoso Central ou de causas desconhecidas.
A definição também admite a possibilidade de que a privação severa ou um trauma, ocorrido precocemente, podem resultar em alterações do Sistema Nervoso Central, possivelmente permanentes. Durante os anos escolares, uma variedade de dificuldades especiais de aprendizagem constituem as mais importantes manifestações da condição que é designada por esse termo".
Após esta conceituação, ocorreram estudos no campo
da neuroquímica que trouxeram contribuições para a patogenia da
Disfunção Cerebral Mínima. A partir de então, novas propostas foram
elaboradas para precisar o conceito de DCM.
Durante as décadas de 60 e 70, a denominação DCM foi considerada e
empregada para designar um conjunto de sinais e sintomas como:
alteração motora, distúrbio de conduta, distúrbio de aprendizagem,
distúrbio de atenção.
Em 1.980, a Associação Psiquiátrica Americana propôs uma nova
denominação, para uniformizar o conceito, não utilizando mais a antiga
DCM e hiperatividade, mas Síndrome do Déficit de Atenção.
Esta mudança ocorreu para englobar tanto a hiperatividade como os demais sintomas, também por não se tratar de uma disfunção propriamente dita e sim uma falta de maturação do Sistema Nervoso Central que tende a amenizar com o passar dos anos.
3-Etiologia e Sintomas
A etiologia da Síndrome do Déficit de Atenção, abrange alterações neurológicas facilmente confundidas com distúrbios emocionais específicos e autismo.
Entre as alterações neurológicas ligadas à Síndrome do Déficit de Atenção ( SDA ), pode-se destacar a imaturidade neurológica difusa e a perturbação quanto aos neurotransmissores químicos.
Todos os estímulos que a todo momento "bombardeiam"
nosso cérebro, passam pela formação Reticular ( área localizada no
tronco Cerebral ), esta determina os estímulos que irão tornar-se
conscientes, atingindo assim o Córtex.
Na formação Reticular existe um agregado de neurônios ,separados por
uma rede de fibras nervosas que ocupam a parte central do Tronco
Cerebral. Nesta área existe um grande número de núcleos ricos em
neurotransmissores destacando-se as monoaminas como serotonina,
noradrenalina, dopamina.
Entre as funções da Formação Reticular, pode-se destacar o controle da atividade elétrica cortical, Sono e Vigília; controle eferente da sensibilidade ; controle da motricidade somática ; controle do sistema Nervoso autônomo ; controle neuro-endócrino ; integração de reflexos, centro respiratório e vasomotor.
A integridade das funções de tal área depende da maturação do Sistema Nervoso Central, consequentemente também da estimulação a qual a criança é submetida. Quando esta maturação está atrasada, a criança apresenta a desatenção, que é o principal sintoma desta Síndrome.
Outros Sintomas que constituem o quadro da SDA são: a hiperatividade, a incoordenação motora e falta de equilíbrio, distúrbios de fala, alterações de sensibilidade, distúrbios de comportamento e dificuldades escolares, que serão discutidos a seguir.
4-Sintomas
Hiperatividade - é uma atividade motora intensa, composta por movimentos involuntários, associados aos movimentos voluntários, os quais a criança não consegue controlar. Muitas vezes essa movimentação intensa é acompanhada por hiperatividade verbal ou ideativa . A criança com hiperatividade possui assim, um aumento na atividade motora. Um exemplo disso, seria quando colocamos uma criança com hiperatividade em frente a um aparelho de televisão; com freqüência mantém-se inquieta, movimenta-se constantemente, distrai-se facilmente . A hiperatividade presente na vida motora da criança, também está presente na sua atividade cognitiva, a mesma não consegue concentrar-se e distrai-se facilmente com vários estímulos os quais é submetida . Incoordenação Motora e Falta de Equilíbrio - são funções dependentes da maturação do Cerebelo. Como esta maturação não está presente na maioria das crianças portadoras da Síndrome do Déficit de Atenção, elas possuem uma incoordenação motora e falta de equilíbrio, sendo crianças caracterizadas pelos pais como "estabanadas", derrubam objetos, caem com maior freqüência . Sensibilidade - ocorre devido o atraso na maturação das áreas do cérebro que comandam as noções de esquema corporal e praxias. As crianças com SDA possuem uma certa dificuldade gnósicas ( como de localização corporal ) e alteração de sensibilidade. Sendo assim, essas crianças ao sofrerem algum tipo de ferimento demoram mais para percebe-lo, e na maioria das vezes nem sabem como ocorreu . São crianças mais expostas a situações de risco por não possuírem exata consciência de perigo.
Distúrbios da fala - freqüentemente
são encontrados atraso na aquisição e desenvolvimento da linguagem,
fato que pode ocorrer devido à dificuldade de atenção e à lentidão em
ultrapassar as etapas do desenvolvimento da linguagem oral.
Ocorrem também, com freqüência, alterações fonemicas sistemáticas (
como omissões; substituições ), devido a imaturidade dos mecanismos
articulatórios . Os distúrbios de ritmo também são encontrados, como a
taquilalia. Podem ocorrer também a gagueira ou o clutter( variações na
aceleração da fala, algumas vezes com caracter de jargão, sugestivo a
dificuldade na elaboração da linguagem e mecanismos articulatórios.
Tais alterações são difíceis de serem reconhecidas como um problema
primário ou efeito de um problema emocional, associado a um quadro
inicial de SDA.
Distúrbios de comportamento - A
criança com SDA, pode possuir maior tendência em apresentar problemas
emocionais, pois devido sua hiperatividade e todo o seu quadro
sintomático pode a vir a gerar alguma alteração de comportamento.
São crianças tidas como "desligadas", "inquietas", "desajeitadas",
sendo na maioria das vezes rejeitadas pela sociedade. Muitas vezes, os
próprios pais não sabendo como lidar com o " temperamento difícil da
criança", acabam tornando-se displicentes.
Devido a rejeição a qual é submetida, a criança pode desenvolver quadros de introversão e agressão variados.
Inteligência
Não existem dados que comprovem que a inteligência da criança com SDA
não seja normal, exceto quando existir associação de outros distúrbios
neurológicos.
Distúrbio de aprendizagem : A aprendizagem da criança com SDA é bastante prejudicada devido a dificuldade de concentração.
Durante a idade escolar, a criança é considerada como diferente,
indisciplinada , já que costuma manter-se agitada o tempo inteiro,
distrai-se com facilidade pela existência de inúmeros estímulos .
Portanto, as crianças com SDA são "crianças problemas" na escola, com
muita dificuldade na aprendizagem, principalmente devido às alterações
de atenção e conseqüentemente concentração.
5-Diagnóstico Diferencial
Existem algumas patologias com uma sintomatologia semelhante à SDA. Por isso, em alguns momentos, torna-se difícil um diagnóstico diferencial.
A seguir será feito um paralelo entre a SDA e outras
patologias . Problemas Psicológicos Graves - Nesses tipos de
distúrbios, a criança geralmente possui hiperatividade. Porém, uma das
diferenças encontradas que a difere da criança com SDA é que esta
hiperatividade cessa em alguns momentos, principalmente quando a
criança se encontra em situações novas ou difíceis. Quando, por
exemplo, uma criança vai a casa de um desconhecido, ela procura,
primeiramente , reconhecer o ambiente e as pessoas. Enquanto a criança
com SDA, já entra no ambiente mexendo em tudo, inquieta, sobe e desce
escadas... Autismo- O que difere a criança autista da criança com SDA é
o tipo de hiperatividade.
Na criança autista a hiperatividade é na maioria das vezes
esteriotipadas, ritmada e repetitiva, ou seja, sempre com os mesmos
movimentos numa mesma seqüência. Em alguns momentos a hiperatividade
cessa para dar lugar a outras atitudes como por exemplo o choro, o
riso, outras expressões faciais, etc.Enquanto que na criança com SDA, a
hiperatividade não cessa nunca, nem para dar lugar a outros
comportamentos.Deficiência Auditiva - Este diagnóstico diferencial é
muito importante, pois muitas vezes a mãe traz a queixa de que a
criança " não escuta bem", ou "não presta atenção quando os outros
falam com ela" e quando submetida á avaliação audiológica não é
detectada uma alteração auditiva.
É nesse momento que o profissional pode suspeitar da SDA,
principalmente se a avaliação audiológica for normal, somada a sintomas
como hiperatividade e dificuldades escolares.Esta criança pode
apresentar uma audiometria normal e queixa por parte dos pais de que
ela "não escuta direito", tanto devido a dificuldades na seleção dos
estímulos, devido a falta de maturidade do SNC ,especialmente da
formação reticular, quanto por uma dificuldade no cumprimento das
etapas do processamento auditivo central( principalmente a atenção) .
Dislexia -Em crianças com SDA comumente, pode-se encontrar como foi
dito anteriormente, quadros de disgrafia, discalculia e dislexia(
dificuldade para ler e escrever).A disgrafia deve-se em geral à
incoordenação motora. A discalculia pode ser proveniente da dificuldade
que a criança possui da noção de equivalência quantitativa. A dislexia
deve-se a dificuldade de concentração e reconhecimento dos símbolos
gráficos . Contudo, é importante ser feito o diagnóstico diferencial da
criança com dislexia e da criança com SDA e sintoma de dislexia . O
paciente disléxico tem dificuldades de reconhecimento estritamente
relacionados com símbolos gráficos, porém não possui falhas de
concentração e atenção como nos pacientes com SDA.
Um exemplo disso, é que uma criança com dislexia tem dificuldade na escrita, mas é capaz de realizar um jogo sem dificuldades em prestar atenção nas regras que envolvem o mesmo. Enquanto a criança com SDA possuirá dificuldade em perceber as regras, e manter atenção para tal atividade . Deficiência Mental-A criança portadora de deficiência mental possui seu desenvolvimento intelectual prejudicado, o que a impede em alguns momentos de realizar determinadas atividades, ou seja, ela é incapaz de entender, por exemplo, regras de jogos mais complexos . Enquanto a criança com SDA, não é incapaz por ter função intelectual prejudicada ou deficiente, mas por ter dificuldade no campo da atenção.A criança com Deficiência Mental na maioria das vezes pode não apresentar uma hiperatividade, mas sim um estado de agitação.Outra característica da criança com deficiência mental é o quadro de hipotonia que a acompanha . Afasia de Evolução - o que a diferencia da SDA é principalmente a existência de uma lesão cerebral, o que não acontece na SDA.
6-Tratamento
Sempre houve muita discussão em torno do tratamento das crianças com SDA. Ini
O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas.
Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam sérios retardos no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento. Os diversos modos de manifestação do autismo também são designados de espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas do autismo.
O autismo afeta uma em cada 110 crianças nascidas nos EUA, segundo o governo daquele país, com números de dezembro de 2009. em 2010, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 2 de abril, a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem.
Um dos mitos comuns sobre o autismo é de que pessoas autistas vivem em seu mundo próprio, interagindo com o ambiente que criam; isto não é verdade. Se, por exemplo, uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem, não é porque ela está desinteressada dessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo, é porque simplesmente ela tem dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa.
Outro mito comum é de que quando se fala em uma pessoa autista geralmente se pensa em uma pessoa retardada que sabe poucas palavras (ou até mesmo que não sabe nenhuma). A dificuldade de comunicação, em alguns casos, está realmente presente, mas como dito acima nem todos são assim: é difícil definir se uma pessoa tem retardo mental se nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente.
Histórico
Foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austrícaco Leo Kanner, trabalhando no Johns Hopkins Hospital, em seu artigo Autistic disturbance of affective contact, na revista Nervous Child, vol. 2, p. 217-250. No mesmo ano, o também austríaco Hans Asperger descreveu, em sua tese de doutorado, a psicopatia autista da infância. Embora ambos fossem austríacos, devido à Segunda Guerra Mundial não se conheciam .
A palavra "autismo" foi criada por Eugene Bleuler, em 1911, para descrever um sintoma da esquizofrenia, que definiu como sendo uma "fuga da realidade". Kanner e Asperger usaram a palavra para dar nome aos sintomas que observavam em seus pacientes.
O trabalho de Asperger só veio a se tornar conhecido nos anos 1970, quando a médica inglesa Lorna Wing traduziu seu trabalho para o inglês. Foi a partir daí que um tipo de autismo de alto desempenho passou a ser denominado síndrome de Asperger.
Nos anos 1950 e 1960, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que a causa do autismo seria a indiferença da mãe, que denominou de "mãe-geladeira'". Nos anos 1970 essa teoria foi rejeitada e passou-se a pesquisar as causas do autismo. Hoje, sabe-se que o autismo está ligado a causas genéticas associadas a causas ambientais. Dentre possíveis causas ambientais, a contaminação por mercúrio presente em vacinas tem sido apontada como forte candidata, assim como problemas na gestação. Outros problemas como infecção por cândida, contaminação por alumínio e chumbo também devem ser considerados.
Apesar do grande número de pesquisas e investigações clínicas realizadas em diferentes áreas e abordagens de trabalho, não se pode dizer que o autismo é um transtorno claramente definido. Há correntes teóricas que apontam as alterações comportamentais nos primeiros anos de vida (normalmente até os 3 anos) como relevantes para definir o transtorno, mas hoje se tem fortes indicações de que o autismo seja um transtorno orgânico.
Entretanto, não se desconsidera o fato de que há de se cuidar dessas crianças o quanto antes, inserindo-as num tratamento que leve em consideração sua subjetividade, seus afetos e sentimentos, e não apenas o aspecto comportamental. Donald Winnicott , importante pediatra e psicanalista inglês, contribui com suas formulações, a partir da prática clínica, para interrogar se o autismo de fato existe enquanto quadro nosográfico.
Além dos conceitos psicanalíticos é muito importante que se avalie o individuo como um todo, e se trate diretamente das causas, que são os desequilíbrios metabólcos do organismo.
Em 18 de Dezembro de 2007, a Organização das Nações Unidas decretou todo 2 de abril como o Dia Mundial do Autismo. Em 2008 houve a primeira comemoração da data pela ONU.
Definição
O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.
Definição da Autism Society of American – ASA (1978) Autism Society of American = Associação Americana de Autismo.
O autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida. É incapacitante e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida. Acomete cerca de 20 entre cada 10 mil nascidos e é quatro vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino. É encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu até agora provar qualquer causa psicológica no meio ambiente dessas crianças, que possa causar a doença.
Segundo a ASA, os sintomas são causados por disfunções físicas do cérebro, verificados pela anamnese ou presentes no exame ou entrevista com o indivíduo. Incluem:
1. Distúrbios no ritmo de aparecimentos de habilidades físicas, sociais e lingüísticas. 2. Reações anormais às sensações. As funções ou áreas mais afetadas são: visão, audição, tato, dor, equilíbrio, olfato, gustação e maneira de manter o corpo. 3. Fala e linguagem ausentes ou atrasadas. Certas áreas específicas do pensar, presentes ou não. Ritmo imaturo da fala, restrita compreensão de idéias. Uso de palavras sem associação com o significado. 4. Relacionamento anormal com os objetivos, eventos e pessoas. Respostas não apropriadas a adultos e crianças. Objetos e brinquedos não usados de maneira devida.
Fonte: Gauderer, E. Christian. Autismo e outros atrasos do desenvolvimento: guia prático para pais e profissionais. Rio de Janeiro: Revinter; 1997. pg 3.
Definição do DSM-IV-TR (2002) O Transtorno Autista consiste na presença de um desenvolvimento comprometido ou acentuadamente anormal da interação social e da comunicação e um repertório muito restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo.
Definição da CID-10 (2000) Autismo infantil: Transtorno global do desenvolvimento caracterizado por: a) um desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos, e b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno se acompanha comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo: fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (auto-agressividade).
Características do autismo
Segundo a ASA (Autism Society of American), indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:
1. Dificuldade de relacionamento com outras crianças
2. Riso inapropriado
3. Pouco ou nenhum contato visual
4. Aparente insensibilidade à dor
5. Preferência pela solidão; modos arredios
6. Rotação de objetos
7. Inapropriada fixação em objetos
8. Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade
9. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino
10. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina
11. Não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo)
12. Procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma determina maneira os alisares)
13. Ecolalia (repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal)
14. Recusa colo ou afagos
15. Age como se estivesse surdo
16. Dificuldade em expressar necessidades - usa gesticular e apontar no lugar de palavras
17. Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente
18. Irregular habilidade motora - pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos
Observação: É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança. Estes variam de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma. Adicionalmente, as alterações dos sintomas ocorrem em diferentes situações e são inapropriadas para sua idade.
Diagnóstico
Os sistemas diagnósticos (DSM-IV e CID-10) têm baseado seus critérios em problemas apresentados em três áreas, com início antes dos três anos de idade, que são:
a) comprometimento na interação social, b) comprometimento na comunicação verbal e não-verbal, e no brinquedo imaginativo, c) comportamento e interesses restritos e repetitivos.
É relevante salientar que essas informações devem ser utilizadas apenas como referência.
Recomenda-se caracterizar a queixa da família: sinais, sintomas, comportamento, nível de desenvolvimento cognitivo e escolar do indivíduo - quando for o caso, relacionamento inter-pessoal, investigar os antecedentes gineco-obstétricos, história médica pregressa, história familiar de doenças neurológicas, psiquiátricas ou genéticas, analisar os critérios do DSM-IV-TR ou da CID-10, realizar avaliações complementares (investigações bioquímicas, genéticas, neurológicas, psicológicas, pedagógicas, fonoaudiológicas, fisioterápicas), pensar a respeito do diagnóstico diferencial, investigar a presença de co-morbidades, classificar o transtorno, planejar e efetivar o tratamento.
Muitas vezes, o autismo é confundido com outras síndromes ou com outros transtornos globais do desenvolvimento, pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, nem necessariamente aspectos sindrômicos morfológicos específicos; seu processo de reconhecimento é dificultado, o que posterga a sua identificação.
Um diagnóstico preciso deve ser realizado, por um profissional qualificado, baseado no comportamento, anamnese e observação clínica do indivíduo.
O autismo pode ocorrer isoladamente, ser secundário ou apresentar condições associadas, razão pela qual é extremamente importante a identificação de co-morbidades bioquímicas, genéticas, neurológicas, psiquiátricas, entre outras.
Condições que podem estar associadas ao Autismo: Acessos de raiva Agitação Agressividade Auto-agressão, auto-lesão (bater a cabeça, morder os dedos, as mãos ou os pulsos) Ausência de medo em resposta a perigos reais Catatonia Complicações pré, peri e pós-natais Comportamentos autodestrutivos Déficits de atenção Déficits auditivos Déficits na percepção e controle motor Déficits visuais Epilepsia (Síndrome de West) Esquizofrenia Hidrocefalia Hiperatividade Impulsividade Irritabilidade Macrocefalia Microcefalia Mutismo seletivo Paralisia cerebral Respostas alteradas a estímulos sensoriais (alto limiar doloroso, hipersensibilidade aos sons ou ao toque, reações exageradas à luz ou a odores, fascinação com certos estímulos) Retardo mental Temor excessivo em resposta a objetos inofensivos Transtornos de alimentação (limitação a comer poucos alimentos) Transtornos de ansiedade Transtornos de linguagem Transtorno de movimento estereotipado Transtornos de tique Transtornos do humor/afetivos (risadinhas ou choro imotivados, uma aparente ausência de reação emocional) Transtornos do sono (despertares noturnos com balanço do corpo)
Síndromes Cromossômicas ou Genéticas: Acidose láctica Albinismo oculocutâneo Amaurose de Leber Desordem marfan-like Distrofia muscular de Duchenne Esclerose Tuberosa Fenilcetonúria Galactosemia Hipomelanose de Ito Histidinemia Neurofibromatose tipo I Seqüência de Moebius Síndrome de Angelman Síndrome de Bourneville Síndrome da Cornélia de Lange Síndrome de Down Síndrome fetal alcóolica Síndrome de Goldenhar Síndrome de Hurler Síndrome de Joubert Síndrome de Laurence-Moon-Biedl Síndrome de Landau-Kleffner Síndrome de Noonan Síndrome de Prader-Willi Síndrome da Talidomida Síndrome de Tourette Síndrome de Sotos Síndrome do X-frágil Síndrome de Williams
Infecções associadas ao Autismo: Caxumba Citomegalovírus Herpes simples Pneumonia Rubéola Sarampo Sífilis Toxoplasmose Varicela
O diagnóstico do transtorno autista é clínico e não poderá, portanto, ser feito puramente com base em testes e ou escalas de avaliação.
Avaliações de ordem psicológica, fonoaudiológica e pedagógica são importantes para uma avaliação global do indivíduo.
Recomenda-se utilizar um instrumento de avaliação adicional para identificar a presença de Retardo Mental (RM). Na maioria dos casos de autismo (70% a 85%), existe um diagnóstico associado de RM que pode variar de leve a profundo.
A incidência de epilepsia nos indivíduos com autismo varia de 11% a 42%.
Convulsões podem desenvolver-se, particularmente, na adolescência.
Exames
O diagnóstico do autismo é feito clinicamente, mas pode ser necessário a realização de exames auditivos com a finalidade de um diagnóstico diferencial.
Outros exames devem ser considerados não para diagnóstico, mas com a finalidade de se realizar um bom tratamento. São eles: ácidos orgânicos, alergias alimentares, metais no cabelo, perfil ION, imunodeficiências, entre outros.
Relato
O médico José Salomão Schwartzman, referência no Brasil em Neurologia da Infância e Adolescência, relata um caso interessante de autismo:
"Na década de 1970, recebi um paciente, R., com cinco anos de idade,
encaminhado por uma amiga pscicóloga. Era uma criança estranha, que
tinha sido considerada, até pouco tempo antes, como portadora de
deficiência mental. Muito embora tivesse apresentado desenvolvimento
motor normal, a sua fala e seu comportamento se mostravam muito
alterados. Sua mãe relatava que ele havia ficado totalmente mudo
até os 3, 4 anos de idade, quando, de um dia para outro, havia começado
a ler manchetes dos jornais. Embora pudesse falar a partir de
então, somente o fazia quando queria e quase nunca com a finalidade de
se comunicar com os outros. Era isolado e parecia bastar-se, ignorando
as pessoas que viviam à sua volta. Por outro lado, era muito inquieto e
agitado, estando continuamente em movimento. Uma das poucas atividades que o deixavam mais tranquilo era ficar parado em uma das esquinas mais movimentadas de São Paulo
observando os ônibus que passavam. Após uma hora de observação,
demonstrava estar satisfeito. Chegando em casa, desenhava todos os
ônibus que havia observado, com as cores e as placas corretas.
Reencontrei R. recentemente. É um adulto estranho; não gosta de fixar o
olhar no interlocutor; fala de um modo bastante formal. Ao entrar no
meu consultório, após todos esses anos, perguntou-me sobre o meu
primeiro consultório e demonstrou lembrar-se de inúmeros detalhes de
consultas ocorridas há cerca de 30 anos. Contou-me que, quando criança,
haviam dito que ele era autista, imagine! Estava muito bem e ganhava o
seu dinheiro fazendo ilustrações para cadernos pedagógicos de algumas
escolas. Na ocasião, o caso me pareceu singular na medida em que aquela
criança, tida como deficiente mental, era seguramente diferente em
vários aspectos de outras crianças com deficiência mental. A
equipe que atendia R. achou que a melhor hipótese diagnóstica era a de
Autismo, condição muito pouco conhecida e de diagnóstico muito difícil
àquela época. O quadro, assim diagnosticado, passou a ser da alçada de
psiquiatras e psicólogos. Para mim, então, tratava-se de uma patologia
que não envolvia problemas relacionados a funções do sistema nervoso. Os
tempos mudaram, e hoje sabemos que o Autismo é uma condição de bases
biológicas e bem mais freqüente do que se acreditava. Há, na verdade,
quem cite números muito maiores, o que decorre não somente de um maior
conhecimento a respeito do assunto e, portanto, de uma identificação
mais freqüente, mas também de um conceito que tem se expandido nos
últimos anos, permitindo que quadros que anteriormente não receberiam
este diagnóstico possam ser assim rotulados."
Tratamentos do Autismo
A gravidade do autismo oscila bastante, porque as causas, não sendo as mesmas, podem produzir significativas diferenças individuais no quadro clínico. Desta forma, o tratamento e o prognóstico variam de caso a caso.
Os indivíduos com autismo têm uma expectativa de longevidade normal.
O transtorno autista é permanente, até o presente momento, não tem cura.
O diagnóstico precoce do autismo permite a indicação antecipada de tratamento.
Um tratamento adequado é baseado na consideração das co-morbidades para a realização de atendimento apropriado em função das características particulares do indivíduo.
A terapêutica pressupõe uma equipe multi- e interdisciplinar – tratamento médico (pediatria, neurologia, psiquiatria e odontologia) e tratamento não-médico (psicologia, fonoaudiologia, pedagogia, terapia ocupacional, fisioterapia e orientação familiar), profissionalizante e inclusão social, uma vez que a intervenção apropriada resulta em considerável melhora no prognóstico.
A base da terapêutica presume o envolvimento da família.
A farmacoterapia continua sendo componente importante em um programa de tratamento, porém nem todos indivíduos necessitarão utilizar medicamento.
Não existe medicação e nem tratamento específicos para o transtorno autista.
O sucesso do tratamento depende exclusivamente do empenho e qualificação dos profissionais que se dedicam ao atendimento destes indivíduos.
A demora no processo de diagnóstico e aceitação é prejudicial ao tratamento, uma vez que a identificação precoce deste transtorno global do desenvolvimento permite um encaminhamento adequado e influencia significativamente na evolução da criança.
Os atendimentos precoces e intensivos podem fazer uma diferença importante no prognóstico do autismo.
O quadro de autismo não é estático, alguns sintomas modificam-se, outros podem amenizar-se e vir a desaparecer, porém outras características poderão surgir com a evolução do indivíduo. Portanto se aconselham avaliações sistemáticas e periódicas.
É fundamental o investimento no SER HUMANO com autismo, toda a intervenção produzirá benefícios significativos e duradouros.
Nunca deixe de acreditar no potencial do indivíduo com autismo.
Questões Polêmicas
Em 1999, o médico Andrew Wakefield publicou o artigo MMR vaccination and autism, estabelecendo uma suposta relação entre a vacina tríplice e o autismo. Diversos estudos médicos foram conduzidos desde então a fim de se comprovar ou não essa relação, sendo que não houve evidências nesses novos estudos acerca dessa hipótese. Em 2010, o Conselho Médico Geral britânico considerou que o dr. Wakefield agiu de maneira antiética e desonesta ao vincular a vacina tríplice ao autismo. Ainda de acordo com o Conselho Médico Geral britânico, a sua conduta trouxe má reputação à profissão médica depois que ele coletou amostras de sangue de jovens na festa de aniversário de seu filho pagando-lhes £5. Considera-se também que o sarampo tenha ressurgido no Reino Unido devido ao receio dos pais em aplicarem a vacina trípice em seus filhos: as taxas de vacinação nunca mais voltaram a subir e surtos da doença tornaram-se comuns. Outra corrente acusa a influente indústria farmacêutica de fazer lobby para "abafar" essa informação[8].
cialmente, os neuropediatras acreditavam que o tratamento à base de calmantes e sedativos seria mais eficaz. Porém, foi observado que tais drogas de ação sedativa agravavam os sintomas . Após estudos, iniciou-se o tratamento com substâncias estimulantes do Sistema Nervoso Central, e que nas crianças com SDA estão deficitárias, substâncias como a anfetamina, que possui composição semelhante às monoaminas, presentes no SNC. Tais substâncias são responsáveis pela condução dos impulsos nervosos até o Córtex Cerebral.; porém a eficácia do tratamento deu-se apenas em parte dos casos . Desde a década de 70 vem sendo pesquisados os efeitos de outras drogas como a cafeína, usada como estimulante do SNC em crianças com SDA.O uso da cafeína em substituição à anfetamina, embora com efeito bem menor que esta, deve-se ao fato da rígida legislação de controle do uso de anfetaminas, e ao custo do tratamento . A cafeína quando administrada terapeuticamente, em dosagem prescrita, promove a acentuação do estado de atenção Nestes estudos não foi evidenciada uma melhora significativa diretamente relacionada no tratamento de crianças com SDA.Atualmente discute-se o tratamento medicamentoso em pacientes com SDA. Segundo estudos, parte dos pacientes com DAS necessitam do tratamento medicamentoso associado à terapia interdisciplinar, devido a presença de intensa hiperatividade. Outros pacientes conseguem melhora significativa somente com terapia interdisciplinar( fonoaudiólogos, psicomotrista, psicólogos, terapeutas ocupacionais etc) . A terapia não medicamentosa, deverá ter como objetivo principal, desenvolver a atenção e concentração da criança. Para que esse objetivo seja alcançado é necessário que o terapeuta tenha alguns cuidados como: a quantidade de estímulos presentes na sala de terapia, o número de estímulos apresentados para a criança, o interesse dela na atividade proposta e o tempo de duração da terapia.Ambiente da sala- A sala de terapia deverá conter pouca quantidade de estímulos visuais, para que os mesmos não distraiam a criança durante a terapia . Número de estímulos- não adianta a apresentação de grande número de estímulos, vários jogos e brinquedos ao mesmo tempo. Deve-se ter o cuidado de apresentar um estimulo por vez, para que a criança mantenha o interesse e a atenção por mais tempo possível . Interesse na atividade proposta- a atividade proposta deverá ser adequada à idade e aos interesses da criança, às suas experiências pessoais,para que as mesmas possam tornar-se mais interessantes e proporcionarem maior possibilidade de concentração . Duração da terapia- A principio não adianta estabelecer tempo para a terapia, pois provavelmente a criança não terá condição de manter sua atenção por toda a sessão. Para a melhor evolução da terapia, o tempo de duração de cada sessão deverá aumentar gradualmente de acordo com as condições de atenção da criança . Além desses cuidados, o trabalho com a atenção deverá ser realizado também através de abordagens de percepção auditiva, percepção visual, orientação de espaço e tempo, orientação corporal, coordenação motora . Essas percepções podem ser desenvolvidas também através do trabalho com ritmo, discriminação, percepção visual, entre outros. A coordenação motora poderá ser melhor trabalhada na terapia de psicomotricidade.
Fonte: Homepage de Christiane Araújo Angelotti

