Existem algumas coisas com as quais o vinho não combina. Para muitos profissionais (e para mim também), uma delas é o tabaco. Mas há algumas ressalvas a serem feitas nessa afirmativa.
Os vinhos comuns realmente não têm potencial para acompanhar cigarros, muito menos coisas mais fortes, tais como charutos ou cachimbos. No entanto, não podemos nos esquecer dos vinhos fortificados, aqueles que recebem adição de aguardente vínica, como os do tipo “porto” e “madeira”, em Portugal; ou então dos gregos, do tipo “mavrodaphne de patras”; estes últimos cada vez mais presentes no mercado brasileiro. Esses vinhos licorosos (em Portugal, também chamados de “generosos”) são perfeitos para serem apreciados juntos dos charutos, logo após a sobremesa. A aguardente vínica, nada mais é, do que o conhaque antes de passar pelo processo de envelhecimento, e como é de conhecimento geral, o conhaque é para a maioria dos especialistas, a bebida mais indicada para escoltar as tragadas e baforadas dos amantes dos “puros cubanos”. Vale lembrar, que na ilha do infame ditador Fidel Castro – Cuba -, o “rum” é o preferido dos “revolucionários”, mas isso não se repete no resto do mundo. Voltando aos vinhos fortificados, muitos gostam de molhar a ponta do charuto dentro da taça para que este se entumeça com o precioso líquido, levando-o à boca depois e sentindo dois prazeres ao mesmo tempo. É, são muitos costumes e tradições, poderia citar outros aqui, mas prefiro lembrar que, hoje em dia, cada vez menos há espaços públicos onde podemos experimentar essas coisas todas que estou dizendo. Embora seja amante dos charutos, aprovo as leis que restringem seu consumo. Não havia nada mais pertubador para um restaurante, antigamente, do que quando algum cliente “audaz” sacava do bolso um deles e o acendia sem piedade, incomodando todos ao seu redor, obrigando-os a partilhar de maneira involuntária, um hábito
que deve ser privado e particular. A situação está melhor agora. Quem gosta, compra seus charutos, seus vinhos do porto especiais, se prepara todo para consumi-los, e então vai para uma área da casa onde sua esposa (mais rigorosa do que qualquer fiscal da prefeitura) permite que ele os consuma! Se o leitor fuma, sabe que é assim, não, é? Saúde (calma, sei que charuto não combina com essa palavra, mas o brinde final da coluna já é marca registrada)!

