Resolvi fazer uma homenagem enogastronômica à Espanha, que impôs ao mundo sua “fúria” avermelhada durante a Copa da África do Sul. Uma atitude um pouco tardia de minha parte, é verdade, mas devido ao ineditismo da conquista espanhola, não é fora de propósito voltar ao tema.
E fazendo um adendo; por aqui, o Internacional de Porto Alegre tingiu o continente sulamericano com os mesmos tons e confirmou que a cor escarlate está mesmo na moda, conquistando o título da Copa Libertadores da América, com relativa facilidade (pelo menos nos dois jogos finais).
Ao contrário dos gaúchos, que já haviam sido campeões do torneio uma vez, os castelhanos experimentaram em 2010 o gosto de uma conquista inédita e finalmente entraram para o rol dos grandes do futebol. Bem, aproveitando essa deixa que toda esta “vermelhidão” me dá, eu rumo agora na direção dos copos carmins, das taças rubras, dos preciososos líquidos tintos e vou direto ao mundo dos vinhos espanhóis, onde seguramente, a coisa muda de figura.

Neste setor, já há algum tempo, a Espanha ocupa posição altaneira. Para muitos, a vitivinicultura espanhola, só fica atrás da francesa e italiana, obtendo grandes resultados. Sua uva mais tradicional atende por muitos nomes (tinta de Toro e cencibel, para citar apenas dois), mas o mais comum é “tempranillo”. Por lá, esta cepa está presente em diversos locais. Aliás, além das tradicionais regiões consagradas como Rioja, Ribera Del Duero, Toro e Priorato, no cenário vitivinícola espanhol surgem novidades como Bierzo, Valdeorras e Alicante.

Se o vinho ocupa lugar de destaque mundial, sua culinária não fica devendo nada. A “paella” é provavelmente o prato mais popular entre nós brasileiros. Poderíamos definí-la (tentando não ofender ninguém) como uma espécie de “risoto de frutos do mar”, mas em algumas receitas, leva outras carnes como: coelho, frango e até porco.
Não importa, em qualquer destes casos acima, ela deve ser acompanhada por vinhos brancos. Rosados também servem (espumantes ou não). No entanto, os espanhóis não costumam fazer assim e preferem os tintos para escoltá-la. No Brasil idem, a imensa maioria é adepta dessa harmonização.
Tudo bem, se é para acompanhar a paella com tintos, que sejam “tempranillos” jovens e leves. Um vinho muito encorpado não vai acrescentar nada nesta combinação. No entanto, se preferirem acatar o que digo, busquem um vinho branco feito com a uva “macabeu”, geralmente ela produz exemplares jovens, que lembram um pouco os “sauvignon blancs” franceses e são pares divinos para os frutos do mar.
Outra excelente alternativa seria experimentar uma “cava”, que é como se chama o espumante deles. Aliás, imagino a quantidade gigante de cava, que foi consumida em Madri e demais cidades, durante as celebrações recentes.
Felizmente há vasta gama de vinhos espanhóis disponíveis no Brasil, é só escolher. A imensa colônia de descendentes não tem motivo para reclamações!
Olé, Espanha e saúde!

